terça-feira, 10 de maio de 2011

Amo...


Amo os loucos.... em suas santidades petrificadas...submersos em mistérios e alucinações.... primitivos, inocentes, sem as cabeças amordaçadas....desfilam em pontes esgarçadas, sem egos... como .meros figurantes num mundo de estrelas obscuras, decadentes...
em seu vazio ensurdecedor, batem asas salpicadas de louvor...mágicos da realidade, metamorfoseiam suas dores obscuras em espasmos solitários, dormem em berços enferrujados da hostilidade e do inconformismo.

Amo os inseguros, os deprimidos, os anoréxicos, os medrosos, perdedores, fracos, etc. enfim, os que não se compactuam com o brilho efêmero, não se deslumbram com as luzes da ribalta, ficam no seu canto, em sussurros e meditação...únicos! em suas dores! sem o vômito azedo do social...despedidos das luzes da ribalta se encaminham para a cachoeira  dos solitários, em busca do banho da individuação...sem persona, sem caricaturas, se espremem na dor, prá  irrigar o inusitado do acaso....buscando intensidades que se cruzam no acontecer.....

Amo a vida..na sua androginia e bipolaridade...em toda as suas intensidades...no seu frenesi orgiástico. em seus  fluxos insanos  e desdita, em sua desesperança e ócio, em sua magia e desencanto, em suas disfunções, na sua escasses de vitórias e em amargas derrotas, nos seus surtos psicodélicos, em sua desesperança e ambiguidade, com todas as suas nuances e matizes, como ramalhetes de flores desfeitos... na sua cumplicidade e desafetos, com seus enigmas e embates, amo-sobretudo, pela sua finitude  e infinita generosidade. 

The End. 


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