terça-feira, 17 de julho de 2012

Coito em feridas



Sim, abre as pernas

fecha as pernas

e o animal segue sua marcha

sem interromper o coito...


sem descrição, em maldição


sem hinos femininos

escorregam  no vazio sebento

deixando em ruínas o rebento


sangrando sem parar


corre, corre Mariazinha

vem, vem cobrir seu corpo


descoberto pelo animal


em cacos, infrutífero

varando a sala, os quartos, a varanda


os corpos estendidos, amuados,


sem vida, sem combinações


sem futuras condições

lá vão eles, cacos, fragmentos,

pedaços de ilusão...

esparramados na terra.


 
The end

Um comentário:

  1. Esse é forte e dolorido como um parto! Gostei muito minha poetisa!

    ResponderExcluir