Confusa, tenta correr atrás de sua essência, maculada talvez pela
mulher inocente que quer se feliz, uma felicidade que não condiz com suas raízes, em chamamentos
internos mais profundos. Chacoalha a poeira do cotidiano que entorpece
os sentidos e tenta desanuviar seus sentimentos, lembrando de atos do
passado, ensaboados pela doce liberdade que reluzia... Tenta recuperar
esse frisson, pra desabotoar a coleira do enforcamento. Lembra de um
aforisma de Nietzsche: "Alguém precisa ter caos em si mesmo para dar luz
a uma estrela dançante". Essa frase devolve a sua antiga potência. Dorme profundamente agarrada a sua doce liberdade.
terça-feira, 14 de maio de 2013
quarta-feira, 24 de abril de 2013
Rasuras
Vivemos fora de esquadros
mudamos estilos, mas
na espécie,
vivemos em conservas
espécies em especiarias
vidas uníssonas
vivendo no gerúndio
em indignidades casuais
o sol, fora de ar
a vida, fora de serviço
lembranças rosadas amarelaram
rameiras em dignidades
é o que importa
sou porta bandeira do descrédito
da família sem créditos
da cantiga rouca
só em remendos consigo visualizar a porta de entrada
mas como abrir quando esta já arrombada?
vou nadar no rio e conjurar com as estrelas e águas.
o macio dos rios enobrece e acalma
sem ação
fecho as portas
The End
quarta-feira, 17 de abril de 2013
A mulher na janela
Submersa em dilúvios emocionais, não conseguia manter sua lucidez. Também, pra que tanta lucidez? Suas ideias viviam dispersas, em
inquietudes. Vivia como um balão aceso no ar prestes a pegar fogo.
Queria arremessar essas fúrias desgastantes para o infinito, queria
alojar seus sentimentos num caloroso abraço. A penúria, a escassez de
sentimentos desumanizava as pessoas, pensava. Era uma espécie de
avareza. Toma um copo de vinho e se deleita em sensações úmidas e
fantasiosas... Inebriada, abre a janela e vislumbra o ar fresco da noite
outonal e passa a língua no céu da boca, buscando no refúgio salival,
sensações adormecidas.
terça-feira, 16 de abril de 2013
Sem comunicação
Você diz sim, eu digo não
andamos em círculos, não chegando a lugar algum.
me desespero, em tensões,
perco meu ritmo
distribuo sorrisos amarelos
dou machadadas em ventanias
mastigo chicletes vencidos
Querer é não poder
o melhor que se tem a fazer
é foder
não prejudica, alivia e soma
consomes energias em nadas
dispersa sua mente em pecúlios
vira a esquina e sai no mesmo lugar
domingo é noite e igual
você só vê o mal
tão desigual
adeus.
The end
Romântico seco
Poeiras da solidão orvalham corpos rodopiantes no salão
duas taças de vinho seco, como a secura do ar
carentes de toques, reluzem na escuridão
o bongô dá o compasso do rosto colado do casal
sentimentos calados acendem...
corações em disparos furam o cerco
dos dias que se foram, dos dias que virão
Abraços em remendos, olhos esbugalhados
Desperto...
a tempestade fere os vidros da janela
trovões acordam a realidade
abastecida de vermes e punhetas
com a cabeça ferida volto pra razão
mariposas da luz são assassinadas
um grito abafado ressoa ao longe
me esvaio no chão, em sangue e lembranças
The End
terça-feira, 9 de abril de 2013
Amor de uma nota só
Naquele quarto
É tudo tão calado
flores de plástico sem raízes
a goteira
pesos de ferro mortos
esperanças
em cadeiras anárquicas
me estiro no sofá preguiçoso
em caminhos sem fé
amebas presas
em servidões...
The End
terça-feira, 2 de abril de 2013
A mulher na janela
Em reflexão, não
entendia o porquê, de ser sempre refém de suas relações amorosas; se
isso era uma característica de sua personalidade, submersa em algum
possível masoquismo, ou se essa subjulgação estava atrelada a alguma
estratégia social para manter o status quo de mulher submissa, ou se
essa estratégia era uma fantasia ou jogo para ser possuída pelo seu
amado; não estava feliz nesse contexto, queria mais liberdade, como
proceder? Caminhando entre as árvores, percebia em suas folhas, um
balançar, um movimento peculiar, próximo a uma dança, queria dançar
como as árvores...
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