quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Cadafalso






Inconsciente:
figura de retórica
alma:
figura decorativa


o seu dia é hoje
e não amanhã

o amanhã é o calo do sapato
a rua com poças dágua
o lixo acumulado

mas vai passar

como travestis vestidos de anjos
picados por cobras venenosas
que arrastam suas asas para 
um caminhar

Do infinito
fantasias esboçam um sorriso
em quimeras,

Águias e pássaros falantes
tocarão seus desejos
te permitindo voar



the end

Fica




fica mais um pouco
só um pouco mais
meus pés estão gelados

ainda tremo
mas passará com sua presença
nostálgica, 
fantasmagórica

perdoai nossas dívidas
assim como perdoamos nossos devedores

água rima com anágua
que ainda sobressai
em meu ventre
obscuro, latente

aquece minha mão
folhas se abraçam

o avião passa
levando pedidos para outro mundo



The End

Hoje




Hoje,
como todos os dias
aguardo...

um pombo correio
trazendo notícias
de Alfajares

um mosteiro libertino
um pé descalço
um abraço gigante

pedras imensas,
musgos  em sua volta
água cristalina

ouço Chopin
estática

só pra voltar a sentir...


The End

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Parasita




vermes desfilam em paz
nas paredes intestinais
superstar
deixa estar

figuras engomadas
homens de cera
chapéus sem véus
prevaricação

execração
peste
maldição

desculpas súplicas venenosas
rejeição pênis sifilítico

proteja seu cu
despeja
fascismo
altruísmo
bundismo
fedelhismo

linguado da linguagem

olho cozido
língua venenosa
descer
goela

sabichão
é cuzão


The end

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Versos murchos




jogo palavras
impulsiva, derrotista
preciso da metrificação intermitente da composição
impotente, intuitiva
isso não basta!

olho as fezes do meu rebento morto

não consigo me repaginar
o obscuro é temeroso e tenho medo

não consigo escrever a

métrica isométrica
paraplégica em meus culhões
e meus miolos não funcionam.
não adianta, a criança interna chora
permanentemente.
amigos ajudam a enxugar as lágrimas

ruídos alarmantes abalam 

estruturas emocionais acorrentadas
em sistemas neurológicos

vamos fazer um pacote:

sou prurida
renasci
ouvi
engravidei
abortei
já morri.

solfejos de Beethoven eliminam

crateras em audições sensíveis
eu já disse:
não volto mais atrás.


The End

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Uma cachaça, por favor




As chaleiras estão fervendo
ventiladores no alto não sustentam o calor
eu preciso de um refrigerador
panos úmidos não seguram fogos de artifícios

Eu preciso ser
as pessoas são, já dizia o rei Arthur
mas cadê ele?

somos plasmas, cataplasmas
soltos no ar
sementes jogadas em vasos sanitários

vivemos parcelados
a minha primeira parcela já tá paga
o que faço com as restantes?
o saldo acabou,
estou suando, carpindo com a enxada rochas duras
vou e volto
volto e vou

caminhos isentos são o nosso habitat
mas queremos sempre ganhar
somos ansiosos, desonestos

só o cativeiro é peculiar
como feto sofro pancadas para abrir os olhos
que um dia se fecharão

vivemos em dois lados, em dois hemisférios
a vida dupla amansa a escuridão
existe uma rua sem saída
são os caminhos mornos que rondam a cidade

ainda tem uma raspa de osso, quer comer??


the end

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Sobrevivência




Sobrevivi
e daí?


têmporas rachadas
calos nos pés
torcicolos &
espinhas


furo de reportagem
Anelise pirou
nos 500 metros

mas missil brasil
foi vitoriosa
rechaçou vítimas
misturou a paulista,
em mistura paulista
o preto e branco
em black and white

self ficou em segundo lugar

aglutinou seres x miolos
fritou os tutanos

no fogão
rodelas de batatas
com carne de porco
o bife queimou
o estômago começou a doer
acabou o gás

Luzes da Ribalta
no Teatro Municipal
em terceiro

faltou luz
Greta Garbo levou um tombo
as gatas não têm mais cio

o tesão está irrecuperável
por acidentes
em transtornos
de virilidades & vaidades

Sobram
vilões em telões
meretrizes caçadas da Luz

restaram
garotas sem programas
sem indulgências
sem cafetões

e a poeira que insistem em
chamar destino


The end